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mar 22 2010

Discriminação – CAMELOS TAMBÉM CHORAM!!!!

Published by Alex França under Conquistas

CAMELOS TAMBÉM CHORAM!!!!

Há mais de 2 meses, o professor José Carlos Sebe – colaborador e entusiasta do projeto do blog e dos canais do U2B – indicou-me um documentário sobre uma mamãe camela que rejeita seu filhotinho albino. Imediatamente fui atrás da referência pra poder postar no blog. Como o volume de coisas tem sido bastante grande, acabei demorando pra assistir, mas finalmente o fiz noite passada e valeu a pena. É realmente uma produção sensibilíssima e muito linda.

Como o amigo Zeca também me passou uma crônica que escrevera sobre o documentário e a experiência de vê-lo, decidi dar a a palavra a ele, afinal, concordo em gênero, número e grau com sua avaliação sobre a produção.

OS CAMELOS TAMBÉM CHORAM.

José Carlos Sebe Bom Meihy

Filmes documentários nunca foram o meu forte. Com raras exceções, não gosto e sempre fico invocado com o exagero da condução feita por diretores que disfarçam o poder de indução. É lógico que respeito os Eduardos Coutinhos da vida, mas prefiro mesmo as doces bobagens, as tais comédias românticas. Enfim, coisas de quem pretende que filmes invertam o cotidiano e, como quer Jean Boudrillard, faça com que o escurinho do cinema seja como o ventre materno: aconchegante, tranqüilo, plácido. Mas não tinha como resistir ao convite de uma cara amiga que além de tudo dizia pagar a pipoca. Era matinê…

Camelos Também Choram é uma comovente história produzida por uma aliança estranha de alemães e mongóis. Filmado em 2003, sob o comando de Byambasuren Davaa e Luigi Falorni, colocado no mercado este mês, encanta desde a primeira cena que apesar de usar a vastidão das areias não se esquece do pôr do sol, dos interiores das tendas e da beleza física dos figurantes. De saída, um velho, supondo contar história para crianças desperta lembranças sobre a mitologia dos camelos no deserto de Gobi, interior da Mongólia e assim conta para a audiência uma história dentro de outra história. E mais fábulas repontam ao longo dos 87 minutos em que uma família de pastores, na época dos partos das camelas, ajuda uma, a última, a dar a luz e salvar o filhote albino. O difícil parto ou a coloração estranha da cria teria feito com que a mãe o rejeitasse. E são cenas comoventes onde o filhote buscando a sobrevivência se vê preterido pela poderosa mãe. O leite da camela, alimento essencial no ambiente árido, ganha sentido mítico como alternativa da vida. Os camponeses tentam contornar a situação dos animais, sem sucesso. As primeiras lágrimas são do recém-nascido que é magicamente humanizado em particular pela diferença do trato de uma outra criança, humana, bem amada pela família. Um adolescente, Dude e o irmão menor, Ugda, recebem a incumbência de irem a cidade mais próxima em busca de um tocador de violino, pois segundo uma lenda local, acreditava-se que a música tocaria o coração da camela. Arma-se então um ritual onde todos os personagens são envolvidos e mediante a chegada do músico que acompanha uma mulher entoando uma canção lindíssima, a camela chora. Copiosamente. Cena impressionante…

A par da lírica história, há sutilezas na narrativa fílmica. O ritmo é uma delas. Com tempo cronológico seqüente, cenas reais – o parto, por exemplo – tudo é muito lento e coerente com o lócus. Poucas palavras e personagens da vida diária convencem o público da veracidade da história que transborda simpatia. Mas é na viagem dos meninos até a cidade que se esconde a perversidade do diretor que ameaça a audiência mostrando que toda a poesia daquele mundo está ruindo pela chegada da modernidade. Televisão e motocicletas, sorvetes e dinheiro vivo, são elementos reclamados pelos pequenos que docemente querem levar para o longínquo as experiências do novo. Em cena emocionante, lá pelo meio do filme, em reunião noturna na tenda, o avô da família começa uma linda história sobre as razões do camelo ter ficado fora do zodíaco mongol – diz a lenda que o Criador o compensou com uma parte de cada animal: como o rabo da serpente, os olhos da vaca – o pequeno interrompe e pede outra história, pois aquela ele sabia. Em contraste perfeito, a cena final, mostra o adolescente Dude arrumando a parabólica da televisão que havia chegado.

Mas o filme não é piegas, não cai em nenhum lugar comum e comove pela ternura da trama feita por alguém que tendo uma boa história constrói uma narrativa sentimental. Recomendo este filme às pessoas sensíveis. Não o sugiro àqueles que gostam das inquietantes aventuras de Indiana Jones (Steven Spilberg que me perdoe) ou Guerra nas Estrelas. Além disto é preciso dizer que o filme já mereceu vários prêmios importantes e há uma torcida mundial para que chegue ao Oscar de melhor documentário posto ter ganhado a indicação para tanto.
Em tempo: tive que optar entre a pipoca e as lágrimas. Nos melhores momentos consegui alternar ambas.

O U2B tem o documentário completo, legendado em inglês e dividido em 9 partes. Segue o link pra primeira delas. Depois, basta seguir o caminho da Mongólia…

TIVE O PRAZER DE ASSISTIR UM DEPOIMENTO DO (Roberto Biscaro)
HJ NO FINAL DO CAPITULO DA NOVELA (VIVER A VIDA) E TIRO O CHAPEL PARA ESSE CARA, É ISSO AEW PARABÉNS POR SUAS CONQUISTAS…

->ESSE É SEU BLOG -> http://www.albinoincoerente.com

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